Finasterida: Guia Completo para Tratamento da Calvície
Tudo sobre finasterida 1mg para alopecia androgenética — eficácia, efeitos colaterais, preço no Brasil e como usar com segurança
Dr. Paulo Almeida
CRM-RJ 456789 | RQE 56789
Finasterida: Guia Completo para Tratamento da Calvície
A finasterida é um dos medicamentos mais estudados e eficazes para o tratamento da alopecia androgenética masculina. Aprovada pela FDA em 1997 na dose de 1 mg/dia, ela revolucionou o manejo clínico da calvície ao oferecer uma opção oral com resultados comprovados cientificamente.[1]
O que é a Finasterida
A finasterida é um inibidor seletivo da enzima 5-alfa-redutase tipo II, responsável pela conversão da testosterona em di-hidrotestosterona (DHT). A DHT é o principal andrógeno envolvido na miniaturização dos folículos capilares em homens geneticamente predispostos à calvície.
Originalmente desenvolvida para o tratamento da hiperplasia prostática benigna (na dose de 5 mg), a finasterida em dose reduzida de 1 mg demonstrou ser eficaz para estabilizar e reverter parcialmente a perda capilar.[1]
Mecanismo de Ação
A finasterida atua bloqueando especificamente a isoenzima 5-alfa-redutase tipo II, que está presente em altas concentrações nos folículos capilares do couro cabeludo. Ao inibir essa enzima:
- Reduz os níveis séricos de DHT em aproximadamente 70%[1]
- Diminui a concentração de DHT no couro cabeludo, interrompendo o processo de miniaturização folicular
- Preserva os folículos existentes, impedindo a progressão da calvície
- Permite a recuperação parcial de folículos miniaturizados que ainda não foram completamente destruídos
Diferente da dutasterida, que inibe ambas as isoformas da 5-alfa-redutase (tipos I e II), a finasterida tem ação seletiva sobre o tipo II. Isso resulta em um perfil de efeitos colaterais mais estudado e previsível.
Indicações
A finasterida 1 mg é indicada para:
- Alopecia androgenética masculina (calvície de padrão masculino) nos estágios II a V da escala de Norwood-Hamilton
- Homens acima de 18 anos com queda de cabelo progressiva
- Uso combinado com minoxidil tópico para potencializar resultados
Importante: A finasterida não é indicada para mulheres em idade fértil devido ao risco de malformações fetais em fetos masculinos. Para o tratamento da alopecia feminina, alternativas como a espironolactona são consideradas.
Posologia
A dose padrão recomendada é:
- 1 mg por dia, via oral, com ou sem alimentos
- O medicamento deve ser tomado no mesmo horário diariamente para manter níveis séricos estáveis
- O tratamento é contínuo — a interrupção leva à retomada da queda de cabelo em 6 a 12 meses
Não existem evidências científicas robustas que sustentem o uso de doses menores (como 0,5 mg ou uso em dias alternados), embora alguns dermatologistas adotem essas estratégias em casos individuais.
Resultados Esperados
Os estudos clínicos de longo prazo demonstram resultados consistentes:[1][4]
| Período | Resultado esperado |
|---|---|
| 3 meses | Redução da queda de cabelo; possível shedding inicial |
| 6 meses | Estabilização visível da perda capilar |
| 12 meses | Aumento na contagem de fios; melhora na cobertura |
| 24 meses | Resultados máximos; melhora progressiva contínua |
| 5+ anos | Manutenção dos resultados na maioria dos pacientes |
Estudos demonstraram que a finasterida promoveu melhora visível em cerca de 83% dos homens tratados por dois anos, com aumento significativo na contagem de fios na região do vértice.[1] A resposta pode variar conforme a idade de início do tratamento e o estágio da calvície.[4]
Efeitos Colaterais
Os efeitos adversos são relativamente incomuns e geralmente reversíveis com a descontinuação do medicamento:[1]
Efeitos sexuais (em menos de 2% dos pacientes):
- Diminuição da libido
- Disfunção erétil
- Redução do volume ejaculatório
Outros efeitos relatados:
- Sensibilidade mamária (ginecomastia rara)
- Alterações de humor (em casos isolados)
- Reações alérgicas cutâneas (raras)
A grande maioria dos homens que descontinuam o tratamento devido a efeitos colaterais relata resolução completa dos sintomas. O chamado "síndrome pós-finasterida" é controverso na literatura médica e carece de evidências robustas que confirmem sua existência como entidade clínica distinta.
Contraindicações
A finasterida é contraindicada nos seguintes casos:
- Mulheres grávidas ou que possam engravidar — risco de anomalias genitais em fetos masculinos
- Crianças e adolescentes menores de 18 anos
- Hipersensibilidade à finasterida ou qualquer componente da fórmula
- Insuficiência hepática grave (metabolização hepática)
Mulheres em idade fértil não devem sequer manusear comprimidos partidos ou triturados, pois a absorção cutânea pode causar danos ao feto.
Disponibilidade no Brasil
A finasterida é vendida no Brasil com receita médica simples (não controlada):
| Apresentação | Preço médio mensal |
|---|---|
| Finasterida genérica 1 mg | R$ 20–40 |
| Propecia (referência) | R$ 120–180 |
| Finasterida manipulada | R$ 15–30 |
A versão genérica possui a mesma eficácia da versão de referência, conforme exigido pela ANVISA para aprovação de genéricos no país.
Perguntas Frequentes
A finasterida causa impotência permanente?
Estudos clínicos de longo prazo mostram que os efeitos sexuais afetam menos de 2% dos usuários e são reversíveis na grande maioria dos casos após a descontinuação.[1]
Posso usar finasterida junto com minoxidil?
Sim. A combinação de finasterida oral com minoxidil tópico ou minoxidil oral é uma das estratégias mais eficazes para o tratamento da calvície, pois os medicamentos atuam por mecanismos complementares.
Quanto tempo leva para ver resultados?
A maioria dos pacientes observa estabilização da queda em 3 a 6 meses e aumento na densidade capilar entre 6 e 12 meses de uso contínuo.[1]
O que acontece se eu parar de tomar?
A interrupção do tratamento leva à retomada gradual da queda de cabelo. Em geral, os ganhos obtidos são perdidos dentro de 6 a 12 meses após a descontinuação.
Finasterida funciona para entradas (região frontal)?
A finasterida é mais eficaz na região do vértice (coroa), mas também demonstra benefícios na região frontal, embora os resultados sejam geralmente mais modestos nessa área.[2]
Referências
Kaufman KD, Olsen EA, Whiting D, et al. Finasteride in the treatment of men with androgenetic alopecia. J Am Acad Dermatol. 1998;39(4):578-589. doi:10.1016/S0190-9622(98)70007-6
Whiting DA, Waldstreicher J, Sanchez M, Kaufman KD. Measuring reversal of hair miniaturization in androgenetic alopecia by follicular counts in horizontal sections of serial scalp biopsies. J Investig Dermatol Symp Proc. 1999;4(3):282-284.
Price VH, Menefee E, Strauss PC. Changes in hair weight and hair count in men with androgenetic alopecia, after application of 5% and 2% topical minoxidil, placebo, or no treatment. J Am Acad Dermatol. 1999;41(5 Pt 1):717-721.
Rossi A, Cantisani C, Melis L, Iorio A, Scali E, Calvieri S. Finasteride, 1 mg daily administration on male androgenetic alopecia in different age groups: 10-year follow-up. J Am Acad Dermatol. 2011;65(2):e57-e58. doi:10.1016/j.jaad.2010.11.018
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Aviso medico: Este conteudo e informativo e nao substitui consulta com dermatologista ou medico especialista. Sempre procure orientacao profissional antes de iniciar qualquer tratamento.