Alopecia Androgenética: Causas, Diagnóstico e Tratamento
Guia completo sobre alopecia androgenética — a causa mais comum de calvície. Entenda o papel da genética, DHT e opções de tratamento
Dr. Paulo Almeida
CRM-RJ 456789 | RQE 56789
O que é Alopecia Androgenética?
A alopecia androgenética (AAG) é a forma mais comum de perda de cabelo, afetando aproximadamente 50% dos homens acima de 50 anos e até 40% das mulheres ao longo da vida.[1] Também conhecida como calvície de padrão masculino ou feminino, trata-se de uma condição crônica e progressiva na qual os folículos capilares sofrem miniaturização gradual sob influência de hormônios androgênicos, principalmente a di-hidrotestosterona (DHT).[2]
Embora não represente um risco à saúde física, a alopecia androgenética pode causar impacto significativo na autoestima e qualidade de vida dos pacientes.
Causas e Fatores de Risco
A AAG resulta da interação entre fatores genéticos e hormonais:
- Predisposição genética: A herança é poligênica, envolvendo múltiplos genes. O histórico familiar de calvície — tanto do lado paterno quanto materno — aumenta consideravelmente o risco.[2]
- Ação da DHT: A enzima 5-alfa-redutase converte a testosterona em DHT nos folículos capilares. A DHT liga-se aos receptores androgênicos, encurtando a fase anágena (crescimento) e provocando a miniaturização progressiva dos fios.[1]
- Sensibilidade dos receptores androgênicos: Nem todos os folículos respondem da mesma forma à DHT. Os folículos das regiões frontal e do vértice são geneticamente mais sensíveis.[3]
- Idade: A prevalência aumenta com o envelhecimento, embora possa começar já na adolescência.
- Fatores agravantes: Estresse, tabagismo, dieta inadequada e certas condições médicas podem acelerar a progressão.
Sintomas e Sinais
Os sinais variam conforme o sexo:
Em homens:
- Recessão da linha frontal do cabelo (entradas)
- Afinamento progressivo na região do vértice (coroa)
- Fios cada vez mais finos e curtos nas áreas afetadas
- Preservação da faixa de cabelo nas regiões lateral e posterior
Em mulheres:
- Afinamento difuso na região central do couro cabeludo
- Alargamento progressivo da risca central
- Linha frontal geralmente preservada
- Raramente evolui para calvície total
Diagnóstico
O diagnóstico é predominantemente clínico:
- Exame clínico: Avaliação do padrão de rarefação, histórico familiar e idade de início.
- Dermatoscopia (tricoscopia): Permite visualizar a variação no diâmetro dos fios, miniaturização folicular e sinais de atividade da doença.[1]
- Pull test: Tração suave de um grupo de fios para avaliar a intensidade da queda.
- Exames laboratoriais: Em mulheres, pode-se solicitar dosagem de hormônios (testosterona, DHEA-S, TSH, ferritina) para descartar outras causas.
- Biópsia do couro cabeludo: Reservada para casos atípicos ou de difícil diferenciação.
Classificação e Estágios
Escala de Norwood-Hamilton (homens): Classifica a calvície masculina em 7 estágios, desde recessão mínima das entradas (tipo I) até perda extensa com apenas uma faixa de cabelo nas laterais (tipo VII).[3]
Escala de Ludwig (mulheres): Divide a alopecia feminina em 3 graus:
- Grau I: Afinamento leve perceptível na risca central
- Grau II: Rarefação moderada com alargamento evidente da risca
- Grau III: Rarefação intensa com couro cabeludo visível
Tratamentos Disponíveis
O tratamento visa retardar a progressão e, quando possível, promover a recuperação parcial dos fios:
Tratamentos Tópicos
- Minoxidil (2% e 5%): Estimula o crescimento capilar e prolonga a fase anágena. Aprovado para uso masculino e feminino. Os resultados começam a aparecer após 3 a 6 meses de uso contínuo.[1]
Tratamentos Orais
- Finasterida (1 mg/dia): Inibidor da 5-alfa-redutase tipo II que reduz os níveis de DHT em até 70%. Indicado para homens; uso em mulheres requer cautela e acompanhamento médico.[3]
- Dutasterida (0,5 mg/dia): Inibidor dual da 5-alfa-redutase (tipos I e II), com maior potência na redução de DHT. Uso off-label para AAG.
- Espironolactona: Anti-androgênico utilizado em mulheres com AAG.
Procedimentos
- Transplante capilar (FUE/FUT): Redistribuição de folículos da área doadora (resistente à DHT) para as áreas afetadas.
- Microagulhamento: Pode potencializar a absorção do minoxidil tópico.
- Terapia com laser de baixa intensidade (LLLT): Evidências moderadas de benefício como terapia adjuvante.
- PRP (Plasma Rico em Plaquetas): Injeções no couro cabeludo que podem estimular os folículos.
Para mais detalhes sobre opções terapêuticas, consulte nossos artigos sobre tratamentos para queda de cabelo e medicamentos capilares.
Prevenção
Embora não seja possível prevenir completamente a AAG em indivíduos geneticamente predispostos, algumas medidas podem retardar sua progressão:
- Iniciar tratamento precocemente ao perceber os primeiros sinais
- Manter uma alimentação equilibrada rica em nutrientes essenciais
- Evitar penteados que causem tração excessiva
- Gerenciar o estresse de forma adequada
- Não fumar — o tabagismo está associado a maior gravidade da AAG
Quando Procurar um Médico
Consulte um dermatologista ou tricologista se:
- Notar afinamento progressivo dos fios ou aumento das entradas
- A queda de cabelo estiver causando sofrimento emocional
- Houver queda súbita ou intensa (pode indicar outra condição)
- Quiser iniciar tratamento medicamentoso — é fundamental o acompanhamento profissional
- For mulher com sinais de hiperandrogenismo (acne, pelos em excesso, irregularidade menstrual)
Perguntas Frequentes
A alopecia androgenética tem cura? Não existe cura definitiva, mas os tratamentos atuais podem retardar significativamente a progressão e, em muitos casos, promover recuperação parcial dos fios.[1]
Se meu pai é calvo, eu também serei? Ter um pai calvo aumenta o risco, mas a herança é poligênica — genes de ambos os lados da família influenciam. Não é uma certeza absoluta.[2]
Minoxidil e finasterida funcionam para sempre? Os benefícios persistem enquanto o tratamento for mantido. A interrupção geralmente leva à retomada da progressão da queda em alguns meses.[3]
Mulheres podem usar finasterida? O uso em mulheres é off-label e contraindicado durante a gestação pelo risco teratogênico. Deve ser discutido caso a caso com o médico.
O transplante capilar é definitivo? Os folículos transplantados são geneticamente resistentes à DHT e tendem a permanecer, mas o tratamento clínico deve ser mantido para preservar os fios nativos restantes.
Referências
- Piraccini BM, Alessandrini A. Androgenetic alopecia. G Ital Dermatol Venereol. 2014;149(1):15-24.
- Ellis JA, Sinclair R, Harrap SB. Androgenetic alopecia: pathogenesis and potential for therapy. Expert Rev Mol Med. 2002;4(22):1-11. doi:10.1017/S1462399402005112
- Sinclair R. Male pattern androgenetic alopecia. BMJ. 1998;317(7162):865-869. doi:10.1136/bmj.317.7162.865
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Aviso medico: Este conteudo e informativo e nao substitui consulta com dermatologista ou medico especialista. Sempre procure orientacao profissional antes de iniciar qualquer tratamento.